Ouvimos mal nossos clientes. Aparentemente, muitas pessoas querem permanecer em um confortável estado de ignorância. Elas parecem pensar “Se eu sair por aí perguntando aos clientes como se sentem a respeito das coisas, eles começarão a reclamar e terei que fazer alguma coisa a esse respeito”. Esse é exatamente o ponto. A finalidade de perguntar aos clientes como estão experimentando aquilo que você oferece é descobrir o que melhorar para mantê-los ou para conseguir outros clientes.
O executivo chefe de uma grande empresa varejista de móveis instalou números de telefones isentos de tarifa para os clientes que quiserem falar a respeito dos produtos que haviam comprado ou de suas experiências de compra. Ele fez com que os números dessas linhas fossem amplamente divulgados entre os clientes. Nas duas primeiras semanas, as linhas ficaram completamente congestionadas com milhares e milhares de chamadas de clientes irados. Os altos executivos ficaram arrasados ao descobrir os níveis de insatisfação.
A lição é que a insatisfação estava lá todo o tempo. O pedido de informações aos clientes apenas a trouxe para fora. Embora seja psicologicamente traumatizante, este processo deve ser saudável, porque ao menos eles podem começar a reagir às preocupações dos clientes e focalizar seus esforços para melhorar a qualidade em resultados válidos.
De acordo com ALBRECHT (1999), concordamos que a meta crítica da descoberta da verdade invisível é conhecer os fatores mais valorizados pelo cliente. Quais são os
elementos de valor, na percepção que ele tem de transacionar com você ou com os seus concorrentes? E a segunda meta é descobrir, se possível, quaisquer oportunidades inexploradas para adicionar valor à experiência e assim ganhar uma provação mais alta do cliente ou uma vantagem competitiva.
Para colocar essas duas metas em perspectiva, podemos pensar no valor para o cliente como seguindo uma espécie de hierarquia, semelhante à famosa hierarquia de necessidades humanas de Abraham Maslow. Temos uma hierarquia de valor para o cliente com quatro níveis:
Básicos: os atributos absolutamente essenciais da experiência, tangíveis ou intangíveis, sem eles é inútil tentar fazer negócio. O carro novo deve estar adequadamente montado, acabado e preparado para ser entregue. A refeição deve ser comível e o local deve estar limpo. O quarto do hotel deve estar limpo e mobiliado de forma adequada. O produto pedido pelo correio deve ser conforme o que promete o catálogo.
Esperados: os atributos associados da experiência que o cliente acostumou-se a considerar como fazendo parte da prática geral de negócios. Alguém deve explicar as características do carro. O restaurante deve ter uma seleção razoável de pratos no cardápio e preços razoáveis. O hotel deve ter uma cafeteria, um serviço razoável de mensageiros e um sistema confiável de recados para os clientes. A empresa de mala direta deve aceitar devoluções se o cliente não ficar plenamente satisfeito com o produto.
Desejados: atributos que o cliente não espera necessariamente, mas conhece a aprecia se a experiência os incluir. Alguém dá sugestões úteis a respeito dos cuidados com o carro. Os atendentes sugerem pratos especiais ou fazem favores especiais para tornar a refeição mais agradável. O pessoal da recepção pode prover informações a respeito de atividades turísticas locais, ou ajudar com problemas especiais. A empresa de mala direta paga o custo da devolução do item não desejado.
Inesperados: atributos “surpresa”, que adicionam valor para o cliente além dos seus desejos ou expectativas normais. O vendedor entrega o carro na casa do cliente, ou em seu escritório. O gerente do restaurante passa pela sala com biscoitos recém-assados, oferecendo-os gratuitamente aos clientes. O funcionário do hotel oferece ao hóspede um copo de suco para ele tomar enquanto espera ser registrado. Alguém da empresa de mala direta telefona ao cliente para saber se ele gostou do produto
Sandra Regina da Luz Inácio

